Wynton Marsalis vem ao Brasil para uma série de aulas e concertos

A cada esquina que se vira em New Orleans, lá está um pequeno Wynton Marsalis. Eles são muitos, quase todos negros, e tocam trompetes sozinhos ou em bandas escolares sonhando com alguns centímetros de palco das milhares de casas da Bleecker, da Bourbon ou de qualquer café da valorosa French Quarter disposto a lhes dar uma chance. Antes de partir e se tornar diretor de um dos mais respeitáveis projetos do jazz no mundo, Marsalis, assim como Louis Armstrong fez décadas antes, abriu um caminho por aquelas ruas dando a primeira lição aos garotos da cidade: ouvir as ruas para entender o mundo.

Marsalis estará no Brasil entre 19 e 30 de junho com os 15 músicos de sua Jazz at Lincoln Center Orchestra, sobretudo para compartilhar o que sabe. Sua mais longa temporada por aqui, agora a convite do Sesc, será concluída depois de 12 dias com onze concertos (dois deles comentados), dois ensaios abertos, duas palestras, um encontro com o próprio Marsalis e quatro workshops para músicos dispostos a irem nas bases do jazz, uma programação dispersa por oito unidades do Sesc da Grande São Paulo.

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Serão muitas horas diante de brasileiros dispostos a entender seus segredos, sua dinâmica, seus ataques ao trompete, o uso tão especial da surdina e todo o seu conceito orquestral, sem falar no conhecimento que cada um dos excelentes instrumentistas a seu lado devem passar. Afinal, muitos estão com ele há 30 anos, desde a origem do projeto. Mas, se tivesse apenas uma aula a dar, ou uma frase a dizer, o que diria Wynton Marsalis a quem o ouve de olhos arregalados? “Eu diria que o mais importante é saber o significado simbólico da herança de nossos antepassados”, diz sua alma de arqueólogo. “E a importância em aprendermos a dividir essa herança e a expressá-la por meio da música.”

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Fonte: Estadão
Foto: REUTERS/Chip East