No Brasil de férias, Roger Waters falou de política e também um pouco sobre a nova turnê

Roger Waters está no Brasil de férias, em Trancoso, na Bahia. Recentemente foram anunciados shows que ocorrerão só em outubro de 2018, quando o ex-líder do Pink Floyd fará sete apresentações no país, passando por São Paulo (9/10), Brasília (13/10), Salvador (17/10), Belo Horizonte (21/10), Rio de Janeiro (24/10), Curitiba (27/10) e Porto Alegre (30/10). Na América Latina, ele também passará por Argentina, Uruguai, Chile e Peru.

Waters aproveitou o tempo livre que teria em São Paulo, antes de voltar para casa, para falar com a imprensa sobre a turnê US + Them, mesmo que ainda falte quase um ano para ela desembarcar por aqui. Nesses shows, ele dá uma geral em discos clássicos do Pink Floyd, como The Dark Side of The Moon, The Wall e Animals, mas também abre espaço para material de Is This The Life We Really Want?, trabalho que lançou há alguns meses. Apesar do clima de férias (ou talvez exatamente por isso), curiosamente, Waters falou mais sobre visões política do que sobre o show.

Sentar à mesa na companhia de Rogers Waters é uma experiência interessante. Ele é prolixo, dá respostas longas, que são “interpretadas” com sotaques britânicos engraçados e muitos gestos de mão. Quem lê as virulentas entrevistas que ele concede, pode ficar com a ideia que o músico é antipático, mas ao vivo ele não passa esta impressão. Waters pode não ser uma pessoa particularmente calorosa, mas ele se mostra um cara combativo e quer “vender” o peixe quando fala de política. E é alguém que olha nos seus olhos fixamente para saber se você está concordo ou não com ele.

O artista prega a união das pessoas, mas diz que para isso acontecer é preciso mais ação do que palavras. Fica claro que ele adora uma agitação política e ama quando suas canções são utilizadas em protestos. Quando soube que as performances dele irão coincidir com as próximas eleições presidenciais no Brasil, e que a atmosfera será certamente pesada, ele apenas esfregou as mãos e disse “Uau!”. Mas ficou a impressão de que não está particularmente por dentro do que está acontecendo na cena política brasileira.

Ele diz que cada show será adaptado para os países por onde irá passar. Contou que a letra de “Money”, de The Dark Side of The Moon, foi mudada para refletir a situação mundial. Dinheiro – a falta dele ou excesso dele – é a chave da desgraça mundial, ele fala. “Sem dúvida, a corrupção é algo muito ruim e as pessoas se deixam levar pelas tentações facilmente.” Mas Waters acha que a falta de solidariedade também é a força motriz para desigualdade. “Em alguns lugares do mundo, existem modelos de sociedade que funcionam, como na Escandinávia, com vários serviços públicos gratuitos. Ainda é pouco, mas é um começo.”

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