É #FAKE que cloroquina curou 99% dos doentes da Covid-19

Circulam pelas redes sociais mensagens que dizem que o município de Itaperuna, no noroeste do estado do Rio de Janeiro, conseguiu curar 99% dos pacientes com a Covid-19 com o uso da cloroquina. É #FAKE. Em entrevista à CBN, a secretária de Saúde da cidade, Nadine Polido, diz que o medicamento está sendo ministrado, sim, a parte dos pacientes, mas não de forma indiscriminada. Além disso, não foi registrado percentual de cura de 99% dos infectados.

Isso é fake news. Queria muito que fosse verdade, mas não procede. Temos 69 casos confirmados, dois óbitos e 13 pessoas curadas. O estado disponibilizou alguns comprimidos de cloroquina, mas deixou restrito. São para uso apenas em âmbito hospitalar. A gente faz a administração em pacientes internados. A pessoa não vai para casa com um kit”, diz a secretária.

O município de Itaperuna fica a 300 km da capital do estado do Rio e tem cerca de 103 mil habitantes. As informações falsas começaram a circular na região na semana passada. Uma das mensagens diz: “A indústria farmacêutica não quer, não vai ter como cobrar milhões do povo. Aí fica difícil. Então deixa morrer sem medicação mesmo”. Uma outra postagem usa uma foto compartilhada no Facebook pelo Hospital São José do Avaí, que fica na cidade, no dia 13. A imagem mostra a alta de uma paciente, que segura um papel dizendo “Eu venci a Covid-19″. Trata-se de um mero registro da saída dela do hospital.

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A eficácia e a segurança da cloroquina e da hidroxicloroquina ainda carecem de embasamento científico. Foram divulgados na última sexta (22) na prestigiosa revista científica The Lancet os resultados de uma pesquisa com 96 mil pacientes do mundo todo que apontam que os remédios não apresentam benefícios contra a Covid-19. Além disso, o estudo – o maior já feito com infectados pelo coronavírus – mostra que além de não haver melhora na recuperação dos infectados, o risco de morte cresce. Os efeitos colaterais incluem arritmia cardíaca. A Organização Mundial da Saúde segue destacando a falta de evidências científicas favoráveis aos remédios e os riscos dos efeitos adversos. Apesar disso, o Ministério da Saúde passou a adotar um protocolo que possibilita a prescrição dos remédios desde os primeiros sintomas.

Fonte: G1 | Foto: Divulgação