Disco do Made In Brazil censurado pelo regime militar é lançado em vinil

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade apresentado recentemente, apresenta diversas conclusões sobre a repressão e tortura durante o período militar. Entretanto, uma das áreas mais afetadas pelo regime da ditadura foi a da cultura. Diversos livros, discos e peças foram censurados e muitos deles não chegaram ao público brasileiro.

Entre eles está o disco “Massacre”, do Made in Brazil. Agora, 37 anos de sua gravação em 1977, finalmente a histórica banda completa sua discografia com o lançamento do polêmico disco censurado na época pelo regime militar. Em seu formato original em vinil, o disco acaba de ser lançado pela Mafer Records, sob licença da Made in Brazil Records.

Para a banda e para os muitos fãs que seguem a banda em todo território nacional, trata- se de um importante resgate histórico. Com todo seu conteúdo barrado pela ditadura, “Massacre” reflete uma era obscura e sombria da política brasileira ao resgatar a história da mais longeva banda de Rock de todos os tempos no Brasil, ativa desde 1967 e que atravessou incólume não apenas todos os modismos do mercado fonográfico, como e principalmente a repressão governamental daqueles tempos de triste memória

O disco tem tiragem limitada em 300 cópias, especialmente para colecionadores e fãs da banda. Participaram das gravações:

Vocal: PERCY WEISS, ROBERTO GOURGEL “JUBA”, RUBENS NARDO “RUBÃO”, OSWALDO “ROCK” VECCHIONE

Baixo & violão: OSWALDO “ROCK” VECCHIONE, TONY BABALU

Guitarras: TONY BABALU, OSWALDO “ROCK” VECCHIONE, CELSO “KIM” VECCHIONE

Guitarra Solo: EDUARDO DEPOSE, WANDER TAFFO, DUDU CHERMONT

Bateria BETO GAVIOTO, FRANKLIN PAOLILLO, ROBERTO GOURGEL “JUBA”

Flauta – TONY OSANAH

Teclados: RUBENS DINIZ “RUBINHO”

SHOW “MASSACRE”

O show original, de 1977, também foi vetado em sua estreia no antigo Teatro Aquários. Localizado na região mais boêmia da cidade, o bairro do Bixiga, o teatro foi lacrado e os equipamentos da banda confiscados. Após dias de tensas negociações, que incluíram um show privado para apenas 3 censores em um auditório com capacidade para 1.200 espectadores , o show foi liberado sob várias condições, entre as quais a troca de nove músicas e mudanças drásticas no cenário e divulgação.

O famoso tanque de guerra, que abrigava a bateria, teve sua cor original (azul royal com estrelas brancas) alterada para branca com estrelas azuis, e seu canhão diminuído para 1,20 m (o original tinha 2,30 m), sendo ainda proibido o uso de qualquer equipamento que produzisse fumaça, fogos de artifício e gelo seco (que seria expelido pelo canhão).

Os cartazes de divulgação que exibiam o tanque de guerra foram também proibidos em todo território nacional. Curiosamente, a ideia do tanque de guerra como concepção de cenário, usado no palco para sustentar a bateria e o baterista da banda, foi copiada, quatro anos depois, pela banda norte-americana Kiss, que já havia usado “coincidentemente” o mesmo tipo de maquiagem circense que a Made in Brazil usava desde os idos de 1969.

Para a remontagem do show “Massacre”, a Made in Brazil sobe ao palco completo com sua formação atual:

OSWALDO “ROCK” VECCHIONE : Vocal, baixo, guitarra, violão e gaita

CELSO “KIM” VECCHIONE: Guitarra, violão, baixo, teclado e back vocals

OCTAVIO LOPEZ GARCIA “BANGLA”: Sax

RICK “MONSTRINHO” VECCHIONE: Bateria

GUILHERME “ZIGGY” MENDONÇA: guitarra, violão

TIAGO T. FERNANDES – “MINEIRO”: Teclados

IVANI “JANIS” VENANCIO: Backing vocals

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

JOÃO BOSCO FERREIRA – Bateria (1994,95)

ROBERTA “ROCK `N ROLL” ABREU – Backing vocals (DESDE 2009)

Fonte: Rock Brigade

Fer Machado

Diretor Artístico Rádio UCSfm

Sair da versão mobile