Algoritmo da Vida | Projeto busca sintomas de depressão nas redes sociais para a prevenção do suicídio

Kurt Cobain tirou a própria vida em 5 de abril de 1994. Suicidou-se com um tiro de espingarda aos 27 anos quando era uma estrela mundial. Ian Curtis, jovem de 23 anos e líder da promissora Joy Division, optou por se enforcar na cozinha de casa, em 18 de maio de 1980. Em 20 de julho de 2017, Chester Bennington também se enforcou, aos 41 anos, na casa onde morava, em Los Angeles,  um mês e dois dias depois de Chris Cornell, aos 52 anos, ser encontrado sem vida, com uma faixa amarrada no pescoço, em um hotel, em Detroit. Mais recentemente, foi Keith Flint, vocalista do Prodigy, quem tirou a própria vida, aos 49 anos. A lista é enorme e devastadora. Todos eles têm, em comum, um fim prematuro. A depressão e, posteriormente, o suicídio. Acontece que esses não são casos isolados – muito menos restritos a grandes nomes da música mundial.

A cada 40 segundos de 2018, uma pessoa tirou a própria vida. No total, o número chega a 1 milhão, em uma escala global. De acordo estudos publicados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), suicídio causa mais vítimas do que guerras, homicídios e conflitos em todo o planeta. A cada suicídio, outras 20 pessoas tentaram fazer o mesmo e falharam, de acordo com um estudo chamado Preventing Suicide: A Global Imperative, também da Organização Mundial da Saúde.

No Brasil, o cenário se repete. Diariamente, 32 brasileiros tiram a própria vida. No ano passado, foram 11 mil pessoas. O Ministério da Saúde revelou o aumento em 20% de suicídios entre jovens de 15 a 19 anos, nos últimos cinco anos. Isso faz com que o suicídio já seja a quarta causa de morte mais frequente entre os jovens brasileiros.

O Japão de 1998 era um dos países com a maior taxa de suicídio do mundo, com 32 mil mortes naquele ano, mas falar sobre o tema ainda era tabu. O que mudou no ano de 2000, quando crianças, órfãos de pais que tiraram a própria vida, passaram a falar na imprensa sobre a experiência. Em um longo e gradual processo de conscientização no país, o número caiu para menos de 30 mil em 2012.

Estudos da University of Reading, na Inglaterra, e da Florida State University, publicados pelos respectivos departamento de psicologia indicam que pessoas em depressão recorrem a um determinado grupo de palavras nas redes sociais. É o que foi chamado de “gramática da depressão” e ela indica a ocorrência da doença, mesmo em estágios iniciais. Naturalmente, o uso da “gramática da depressão” vai estar presente no comportamento das pessoas nas redes sociais. São sinais e, também, pedidos de ajuda.

A ideia é, com a conversa, entender melhor o perfil do usuário e indicar a melhor forma de tratamento, por meio do telefone do Centro de Valorização da Vida (ligue 188), referência nacional no atendimento a pessoas com depressão. O Algoritmo da Vida está em operação desde fevereiro e detectou quase 300 mil menções que potencialmente utilizam a linguagem da depressão.

É possível conhecer melhor o #DontLetSuicideRock aqui.

Fonte: Rolling Stone Brasil